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“Puxa vida, o currículo é excelente, mas… olha as fotos dele no facebook!” ou “Ela foi super bem na entrevista, mas as fotos do Instagram parecem de uma pessoa completamente diferente…”. Qual o profissional de RH que nunca passou por isso com aquele candidato perfeito estando pronto para ligar e oferecer a vaga? Ingênua é a pessoa que acredita que sua imagem (neste caso nas redes sociais) não conta na hora de ser avaliado profissionalmente. 

Lembro-me de uma seleção para coordenador de recursos humanos na qual participei do processo de prospecção e entrevista dos candidatos. Com o meu conhecimento de consultora, tentava não esboçar muitas opiniões sobre a imagem da pessoa, levando em consideração somente o que ela falava e o seu currículo. “Foca no andamento da entrevista e não crie caso com o visual, hein!” Era esse o meu lema mental, que eu repetia diversas vezes durante o processo. 

Infelizmente, não dava. 

Testemunhei muitos outros comentários de pessoas também envolvidas na seleção, coisas que só reforçaram o que eu já tinha em mente. Vou facilitar pra vocês e transcrever algumas das frases:

“Quer um cargo de chefia mas olha como estava vestida!”

“Será que ele vai vir trabalhar assim parecendo o peão de Barretos?”

“Eu não conseguia prestar atenção no que ela dizia porque as unhas roídas me chamavam mais atenção.”

Parece um festival de preconceitos, mas, na verdade, é o julgamento tão inerente ao ser humano que estava sendo exercido. A verdade é que, por mais bem educado e “desconstruído” que você seja, é impossível não julgar nunca. Inconscientemente, haverá coisas na imagem do outro que o remeterão a impressões que muitas vezes nem chegam até a consciência. É o tal “não fui com sua cara” ou “o santo não bateu”. 

Nesse caso, sou totalmente contra a pessoa se anular e vestir um “personagem” na hora da entrevista, na foto do LinkedIn ou CV. Acredito que temos de ser autênticos ressaltando, porém, nossas qualidades e sendo adequados para cada situação. Não existe personagem que se sustente ao longo da vida. O que eu indico é o processo de auto-conhecimento na hora de mostrar o seu potencial, e isso também é aplicado no seu exterior.

Acredito que temos de ser autênticos, ressaltando, porém, nossas qualidades e sendo adequados para cada situação. Não existe personagem que se sustente ao longo da vida. O que eu indico é o processo de auto-conhecimento na hora de mostrar o seu potencial, e isso também é aplicado no seu exterior.

É adequado tirar foto tomando cerveja e usar em um currículo (acredite, já vi isso)? Não. É errado tomar cerveja? Também não. Existem situações nas quais você talvez possa ressaltar seu lado boêmio, mas não é em uma entrevista ou em um documento profissional. O João (nome fictício super original, vai) adora uma cerveja, mas é também um excelente líder de equipes, uma pessoa super carismática, e , neste caso, são essas as qualidades a serem ressaltadas na hora de se vestir, respeitando sempre seu estilo pessoal. 

Sobre as fotos nas redes sociais mencionadas no começo do texto, é uma situação a ser pensada. Esse assunto sempre gera polêmica, mas convenhamos que não é adequado se expor virtualmente em situações, digamos, íntimas. Um gerente de finanças em uma multinacional que tem seu álbum aberto em uma rede social repleta de contatos do trabalho cheio de fotos onde se expõe de roupa de banho ou malhando é algo que nunca cai bem, por exemplo, mesmo que o que ele esteja fazendo seja algo normal. Neste caso, o bom é guardar estas recordações para os mais chegados, lembrando da nossa querida discrição, tão esquecida ultimamente.

Podemos (e devemos!) passar nosso recado pela nossa imagem para conseguir conquistar nossos objetivos profissionais. É incrível como conseguimos ressaltar uma qualidade pessoal ou aptidão ao escolher as cores apropriadas para usar na composição, as peças e o caimento ideal para o nosso corpo, sem deixar nossa autenticidade de lado, mas adequando para cada caso. No processo da consultoria, podemos ressaltar nossa inteligência, elegância e dinamicismo na forma que nos vestimos e nos elementos que utilizamos. 

Faltavam elementos na sua imagem que pudessem dar a ele a oportunidade de mostrar o seu potencial.

Uma querida colega de profissão me comentou um dia a respeito de um cliente que, antes da consultoria, apresentou um projeto em sua empresa que não foi aprovado. Após passar pelo processo, sem alterar nada no seu projeto, apresentou-o novamente e, além de aprovado, foi muitíssimo elogiado. Faltavam elementos na sua imagem que pudessem dar a ele a oportunidade de mostrar o seu potencial.

O candidato que foi mencionado lá em cima, o tal Peão de Barretos (tadinho, mas parecia), se ele gosta deste estilo mais despojado com elementos “country”, pode trocar o cinto de fivela enorme por um comum de couro marrom, e a bota de bico fino por um sapatênis ou um sapato também com um tom marrom, caso o dresscode da empresa permita, vale mencionar. Claro que isso é uma indicação generalista e que, na hora de realizar uma consultoria, outros elementos são avaliados, mas é um exemplo de como adequar sua imagem para uma determinada situação, sem deixar de ser você mesmo.

Finalizando, pois, como podem ver, é um assunto que rende várias linhas: aprendam a adequar sua imagem para cada situação, especialmente para a profissional. Não imitem ninguém, não vistam um personagem, mas saibam – neste caso pode pedir help de uma consultora, para não perder o jabá – como ressaltar seus pontos fortes, conheçam a si mesmos e apliquem isso na hora de se vestir para o trabalho, para a entrevista, nas fotos das redes sociais e demais necessidades. 

A imagem pessoal pode ser um enorme aliado ou um gigante obstáculo na conquista dos seus objetivos profissionais. Ignore-a por sua conta e risco.